26 de junho de 2017

Dor de corno


Não li comentários hoje. Aliás, para ser bem sincero, entrei  na área de comentários e vi que tinha dois para serem liberados e 11 no spam. Um dos dois era um textão do rei dos textões. Liberei.
Dos 11 no spam 9 eram deste arigó corintiano que resolveu vir aqui se instruir e encher o saco. Dei uma espiada nos deletados (que sim, tem vários que passam direto para o delete) e vi que havia uns 15 de ontem para hoje.
Não invejei os blogueiros que estão se dando ao trabalho de ler e selecionar. E não olhei nada porque resolvi dar um descanso ao meu fígado e minha mente. Porque não quero adoecer lendo doentes esbravejando na primeira chance que aparece.
Ontem foi um grande jogo dos dois maiores times do Brasil na atualidade. Um pelo talento e vocação para o jogo. O outro pela determinação com que atendem tudo que o treinador pede.
Com mais calma olhei os melhores lances hoje. Vi um primeiro tempo de amplo domínio do Grêmio, que concedeu uma só chance para o adversário. Chance esta que só não foi gol porque Marcelo Grohe fez uma defesa magistral, espantosa. E um segundo tempo em que, afora o gol fortuito do adversário, apenas o tricolor teve chances. Chances claras pelo menos duas. E mais o pênalti. Pênalti bisonhamente batido por Luan, que pareceu desconfortável antes de chutar. Mostrava uma cara contrariada. Teria sentido a responsabilidade?
Resultado injusto? Não. Se não há erro grave de arbitragem o resultado nunca é injusto. Se um time errar 25 chances claras e o outro acertar um chute do meio do campo, onde estaria a injustiça?
Resultado justo pela eficiência dos paulistas.
Grohe falhou? Pode-se dizer que sim. Foi traído pela velocidade do lance e, talvez, por não esperar um chute exatamente onde foi. Grohe foi o culpado? Não acho. Se ele tomasse aquele gol à queima roupa no primeiro tempo estaria tudo normal. Menos, é claro, para este bando de otários que adoram destruir os jogadores do time para o qual supostamente torcem. Porque estes, por mal amados, por inveja, por ideologia, por desvio de caráter, por dor de corno, por qualquer uma destas razões ou outras que possam ter, gozam mais quando podem destruir um ídolo do que nas vitórias que os ídolos lhes presenteiam.
Se amanhã inviabilizarem Grohe no time titular e sentirem falta dele, com certeza não virão aqui fazer mea culpa. Afinal, eles estão sempre certos. Errados são todos os outro.
De tudo isto, resta uma certeza: se houvesse redes sociais no século passado Eurico Lara não estaria no hino do Grêmio.
Não arigó. Não estou comparando Grohe com Lara. Estou apenas dizendo que nem ele resistiria à insanidade de vocês.

25 de junho de 2017

Daniel Matador - Hoje não foi o dia

Grêmio 0 x 1 Corinthians

Até Ramiro, sempre regular, esteve abaixo do esperado hoje.

Caros

O jogo mais esperado do ano havia chegado. Grêmio e Corinthians, detentores das melhores campanhas do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, com campanhas muito superiores às dos demais, finalmente pisaram no gramado da Arena para medirem suas forças. Antes do jogo, homenagens para Rodrigo Wilsen da Silveira, o policial morto por criminosos esta semana em uma ação em Gravataí. O time de Portaluppi não sabia sequer o que era um empate até o momento jogando em casa. Havia vencido todas as partidas na Arena pelo Temerzão em 2017. Kannemann, mesmo não estando em sua melhor condição após uma lesão, pediu para jogar e foi a campo. Mais de 50 mil almas tricolores presenciaram o embate entre dois dos maiores postulantes ao título brasileiro deste ano. A briga era de cachorro grande. Era pela liderança na primeira divisão.

1º tempo: Grêmio 0 x 0 Corinthians

Aos QUARENTA SEGUNDOS Edílson já invadiu a área e cruzou perigosamente para Cássio defender. O domínio tricolor nos primeiros minutos era total. O Corinthians não via a cor da bola. O primeiro perigo real foi aos 11 minutos, quando Grohe salvou um chute cara a cara. Aos 20, um BALAÇO de Pedro Rocha que Cássio espalmou para escanteio. Aos 22, em cobrança ensaiada de escanteio, Kannemann escorou de cabeça e Geromel quase abriu o placar.

A supremacia gremista na partida era brutal. Era quase um jogo em meio campo. O time paulista notadamente jogava se defendendo e torcendo por uma bola. Aos 33, bom chute de Barrios, que Cássio defendeu. Aos 36, time do Corinthians chorou um pênalti, mas o lance foi normal. Aos 45, Pedro Rocha estava quase em frente ao gol quando o árbitro anulou sua chegada alegando que a bola bateu em seu braço. A arbitragem marcava tudo para o time da casa e nada para o Corinthians. Aplicou um cartão amarelo para Kannemann totalmente de graça. E o primeiro tempo terminou com o placar em branco.




2º tempo: Grêmio 0 x 1 Corinthians

Eram 6 minutos quando Jadson recebeu cruzamento da esquerda na entrada da área e chutou. A bola passou no meio das pernas de Grohe e entrou. Se o objetivo do Corinthians era amarrar o jogo quando estava empatando, com um gol de vantagem a coisa ficou ainda mais escancarada. Aos 17, Luan recebeu e tentou de longe, mas a bola subiu demais. Aos 20, a melhor chance até então: Pedro Rocha chutou, a bola sobrou para Luan, que deu um biquinho e Cássio defendeu. Aos 22, Arthur saiu para a entrada de Fernandinho.

Aos 24, Fernandinho entrou a dribles na área, mas perdeu o controle quase em frente ao gol. Aos 27, Pedro Rocha saiu para a entrada de Gastón Fernandez. Aos 33, Edilson saiu para a entrada de Everton. Aos 37, o árbitro acertou e marcou pênalti sobre Geromel. Luan pegou a bola e desperdiçou. Aos 40, lance de pênalti sobre Everton, que dessa vez o árbitro resolveu não marcar. Aos 41, Everton teve grande chance e bateu de chapa, com a bola passando muito perto. Aos 47, Gastón chutou e Cássiu defendeu. E a partida acabou com a primeira derrota tricolor na Arena esse ano.




Como jogaram:
Grohe: fez uma defesa salvadora no primeiro tempo. Deixou o chute de Jadson passar pelo meio das pernas. Ele não se ajuda. Nota 3
Edílson: Léo Moura dava uma produtividade e criatividade maior ao time. Saiu para a entrada de Everton. Nota 5
Geromel: no geral, foi bem, mas envolvido no lance do gol. Nota 7
Kannemann: passou muito trabalho para conter Jô. Nota 6
Cortez: até tentou algumas investidas, mas não conseguiu grandes vitórias pessoais sobre a defesa corinthiana. Nota 5
Michel: um dos poucos que se salvou, fez boa jornada. Nota 7
Arthur: foi mais contido hoje do que nos jogos anteriores. Saiu para a entrada de Fernandinho Nota 6
Ramiro: esteve abaixo do que costuma produzir. Nota 4
Luan: novamente foi o propulsor do time e assumiu a maior parte das jogadas. Mas, na chance que havia para empatar, errou o pênalti. Nota 4
Pedro Rocha: a correria de sempre, mas novamente com pouca efetividade. Saiu para a entrada de Gastón. Nota 4
Lucas Barrios: praticamente não recebeu nenhuma bola o jogo todo. Aí fica difícil pro centroavante.

Fernandinho: entrou no lugar de Arthur. Fez uma correria nos primeiros minutos e depois sumiu. Nota 3
Gastón Fernandez: entrou no lugar de Pedro Rocha. Nem pôde ser percebido em campo. Nota 3
Everton: entrou no lugar de Edílson. Fez mais que Pedro Rocha em todo o jogo. Nota 6

Renato Portaluppi: se tem méritos nas vitórias, também tem nas derrotas. Desta vez, não conseguiu furar a retranca do Corinthians. Foi prejudicado por erros individuais de Grohe e Luan, mas também teve responsabilidade. Nota 5

Arbitragem: o trio era de Goiás, formado pelo apitador Wilton Pereira Sampaio (sim, aquele mesmo que apitou o jogo do caso do goleiro aracnídeo) e pelos auxiliares Bruno Raphael Pires e Leone Carvalho Rocha. Assim como daquela vez, novamente foi muito mal. Amarelou Kannemann no primeiro tempo de forma descaradamente criminosa, pois o gringo nada fez no lance. Amarelou todo o time tricolor, em clara tentativa de frear o ímpeto da equipe. Por incrível que pareça, acertou no lance do pênalti. Mas ficou com medinho de dar outro claro sobre Everton.


Era o jogo para chegar à liderança. Ou, ao menos, manter-se a um pontinho do líder, o que faria com que fosse possível alcançá-la ali adiante. Mas não apenas o gol tomado, como o pênalti perdido, puseram tudo a perder. Ainda faltam muitos jogos e o primeiro turno sequer chegou ao fim. A distância agora é de 4 pontos e a vice-liderança ainda é nossa. Mas a corrida ficou mais complicada.


Saudações Imortais

24 de junho de 2017

Depois dos pdf´s abriu a porteira...




23 de junho de 2017

Avalanche Tricolor: o Grêmio não espera acontecer

Por Milton Jung

Brasileiro – Arena Grêmio



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Rocha faz aos 10min do primeiro (reprodução SporTV)
Um aos 10 do primeiro tempo. Outro aos 40 do segundo. E entre um gol e outro aquela velha preocupação de que alguma coisa poderia dar errado. Sei lá, de repente um atacante que passou pelo nosso time sem nunca fazer nada, desencanta contra nós. Ou o outro que pouco fez quando esteve do outro lado, resolve fazer exatamente contra a gente. Quem sabe um chute sem noção desvia no nosso zagueiro, bate no travessão, volta, rebate nas costas do goleiro e entra no nosso gol. E lá se vão os três pontos que tanto queremos.

Estamos sempre a espera de uma desgraça, como se não confiássemos naquilo que assistimos jogo após jogo: um time respeitado Brasil à fora, enaltecido por comentaristas (claro que tem as exceções até para confirmarem a regra), que joga bonito, sabe passar e tocar a bola de pé em pé, se movimenta com velocidade, busca o gol o tempo todo e ainda é capaz de marcar com intensidade e se sustentar com uma defesa consistente, mesmo que nem todos os titulares estejam em condições de jogar.

Situação curiosa essa que vivemos, pois temos um time de futuro mas seguimos analisando-o com a ótica do passado. Desconfiamos do nosso próprio sucesso e, mesmo que tenhamos orgulho do que estamos vendo, ficamos com aquela estranha sensação: até quando tudo isso vai dar certo? Talvez seja resquício de um passado recente, reflexo do último título que queríamos conquistar mas desperdiçamos ainda na semifinal, logo no início desta temporada. Como se não tivéssemos vencido há alguns meses a Copa do Brasil.

O esbravejar de Renato ao lado do campo talvez dê razão a esses torcedores. Ele próprio não permite que o time acredite na sua superioridade. Quer ver o Grêmio jogando boa parte da partida como se estivesse precisando do resultado, sem tirar o pé, sem reduzir o ritmo, em alta velocidade e em alta intensidade. Melhor que seja assim, dessa forma não baixamos a guarda nunca, pois a maratona é longa e não dá para relaxar.


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Fernandinho faz o segundo aos 40 da etapa final (reprodução SporTV)
Os resultados do Brasileiro – na Libertadores e na Copa do Brasil também tem sido assim –  demonstram, porém, que estamos mais preocupados do que deveríamos. Enquanto esperava o segundo gol, capaz de espantar qualquer risco de desperdiçarmos os três pontos em casa, na noite desta quinta-feira, consultei os arquivos da competição e confirmei o que tenho pensado há algum tempo:

Em oito de nove rodadas do Campeonato Brasileiro, o Grêmio marcou gols no primeiro tempo. Em cinco partidas, bastaram 20 minutos para estarmos na frente. Em quatro delas, antes dos 10 minutos já tínhamos a vantagem.  Apenas em uma, quando escalamos o terceiro time, fazer o gol cedo e antes do nosso adversário não foi suficiente para sairmos vitoriosos. 

Ou seja,  o Grêmio não espera acontecer.

22 de junho de 2017

Daniel Matador - Vitória com dois petardos

Grêmio 2 x 0 Coritiba

Pedro Rocha abriu o placar na Arena em mais uma noite de vitória gremista.

Caros

O tricolor pisou no sagrado gramado da Arena sabendo que o único time que estava à sua frente até o momento, o Corinthians, estava jogando os minutos finais de seu confronto contra o Bahia e vencendo. Sem Ramiro (que tomou o terceiro cartão amarelo na última rodada) e Kannemann (que saiu lesionado no confronto contra o Cruzeiro), Renato mandou a campo a equipe com Grohe no gol e a dupla de zaga formada por Geromel e Thyere. Nas laterais, Edílson e Cortez. No meio, Michel e Arthur formaram a dupla de volantes. E o restante do time tinha Fernandinho como substituto de Ramiro, além de Luan, Pedro Rocha e o surpreendente retorno dele, o centroavante Lucas Barrios. Uma escalação bem ofensiva para jogar em casa.

O adversário não contava com Kléber, que cumpre suspensão por criancice (cuspiu na cara do adversário). E, por incrível que pareça, o time do técnico Pachequinho apresentava, ao menos até então, a melhor defesa do campeonato. O que pode ser considerado um feito interplanetário, visto que o famigerado WERLEY é titular. Só que o Grêmio, ah, o Grêmio tinha o melhor ataque. E o que acontece quando o melhor ataque enfrenta a melhor defesa?

1º tempo: Grêmio 1 x 0 Coritiba

Aos 7 minutos, Luan arrematou, mas o goleiro encaixou sem grandes dificuldades. Aos 9, Pedro Rocha tocou para Luan, que devolveu para PR32 desvencillhar-se de dois marcadores e emendar um PATAÇO para abrir o placar!

Aos 16, Pedro Rocha recebeu e invadiu a área pelo meio, mas perdeu a jogada. No minuto seguinte, Barrios marcou em um rebote após uma BLITZ e um BAGO de Michel, mas a arbitragem anulou alegando impedimento. O Grêmio era avassalador na partida. Geromel metia chapéu, Fernandinho dava de letra, Luan lançava de primeira, Barrios tocava de calcanhar. Aos 31, passe de Barrios para Pedro Rocha, que o goleiro adiantou-se para salvar. Aos 44, Luan fez um passe MÁGICO para Barrios, que só não marcou por preciosismo.





2º tempo: Grêmio 1 x 0 Coritiba

Aos 5 minutos, o Coxa chutou de longe para tentar surpreender Grohe, sem sucesso. Aos 12, Henrique Almeida chutou e a bola bateu na rede pelo lado de fora. Aos 18, Lucas Barrios saiu para a entrada de Everton. Aos 20, ataque fulminante do tricolor, mas Fernandinho mosqueou no lance final e deixou a bola escapar. Aos 23, Fernandinho entrou na área a dribles e perdeu uma grande chance ao chutar em cima do goleiro. Aos 25, Everton invadiu a área e foi derrubado, mas o árbitro nada marcou. E, aos 26, Luan arrancou e chutou com o lado de fora do pé. O goleiro defendeu e a bola quase entrou de mansinho. No minuto seguinte, Fernandinho chutou forte de fora da área para Wilson defender novamente.

Aos 29, Pedro Rocha saiu para a entrada de Lincoln. Aos 30, Arthur saiu para a entrada de Maicon. Aos 32, pressão violenta do Coritiba, com a zaga gremista espanando de tudo quanto era jeito. Aos 37, Luan tentou de fora da área, mas Wilson pegou bem. No minuto seguinte, enfileirou toda a defesa antes de chutar para Wilson defender novamente. Mas, aos 40, não houve jeito. Fernandinho roubou a bola, tocou para Luan, correu para receber e emendou um PETARDO no ângulo para aumentar o placar!

Nos 5 minutos restantes o tricolor cozinhou o galo e garantiu mais uma vitória neste Campeonato Brasileiro.



Como jogaram:
Grohe: novamente assistiu ao jogo sem pagar ingresso. Nota 6
Edílson: está retomando o ritmo de jogo após o tempo parado. Nota 6
Geromel: que zagueiro. Deu até chapéu nos marcadores. Nota 8
Thyere: teve a ingrata tarefa de substituir o cão de caça Kannemann. Não comprometeu. Nota 7
Cortez: não deu descanso para a defesa do lado direito do Coxa. Nota 7
Michel: atuação segura, desta vez jogando mais recuado. Nota 6
Arthur: joga cada vez mais como um jogador de categoria superior. Nota 7
Fernandinho: surpreendentemente, foi muito bem no primeiro tempo. Fez o gol do alívio. Nota 8
Luan: jogou demais. Deu a assistência para o gol de Pedro Rocha e outro passe magistral para Barrios, que só não marcou por detalhe. Nota 8
Pedro Rocha: fez o que o atacante tem de fazer. Nota 8
Barrios: fez um gol, mas anularam.Perdeu outro na cara do goleiro. Notou-se a falta de ritmo e Renato foi inteligente em sacá-lo não apenas por isso, mas também porque estava pendurado. Desta forma, fica à disposição contra o Corinthians. Nota 6

Everton: entrou no lugar de Barrios. Até correu um pouco, mas ficou abaixo do que pode render. Nota 5
Lincoln: entrou no lugar de Pedro Rocha. Fez uma correria para mostrar serviço, mas o jogo já estava na finaleira. Sem nota
Maicon: entrou no lugar de Arthur. Até ajudou a dar uma cadenciada, ma o jogo já estava no fim. Sem nota

Renato Portaluppi: montou um time surpreendente ao escalar Fernandinho no lugar de Ramiro e escalar Barrios desde o início. Tem todos os méritos pela vitória. Nota 9

Arbitragem: o trio pernambucano formado pelo apitador Pericles Bassols Pegado Cortez, auxiliado por Clovis Amaral da Silva e Cleberson do Nascimento Leite, veio dar o ar da graça em Porto Alegre. Amarraram o jogo e marcaram uns lances meio estranhos. Bem fraquinhos.

A melhor defesa realmente fez jus a seus números. Mas o melhor ataque mostrou que é superior. O Corinthians venceu seu duelo e permanece à frente por um mísero pontinho. A próxima rodada tem o confronto dos que duelarão pela liderança. O Grêmio de Renato joga por música e a Arena vai tremer no domingo!

Saudações Imortais

Esses analistas e suas análises maravilhosas

Um das mais recentes especialidades do mercado do futebol são os analistas financeiros de balanços de clubes. O blog Imortal Tricolor quer alertar os seus leitores para não darem atenção indevida a eles. A razão é simples: os analistas de balanços de clubes que se apresentam no mercado já deram mostras suficientes de que não entendem o funcionamento das finanças dos clubes e tampouco a estrutura dos seus balanços. Além disso, claramente não leem as notas explicativas das publicações contábeis.

Exemplos disso não faltam. Já tivemos o caso de um conhecido analista que desconsiderou as explicações sobre a dívida do Grêmio com a OAS, por conta do terceiro aditivo. Esta dívida só será paga com o lucro da própria Arena Porto Alegrense. O referido analista desconsiderou o fato (que estava minuciosamente explicado nas notas do balanço), alarmando-se com o "crescimento do endividamento do Grêmio". Este é apenas um exemplo. Outro clássico erro de novato foi a "informação" de que o Grêmio, em determinado ano, aplicara apenas R$ 1 milhão nas Categorias de Base. Esta era a diferença do saldo da rubrica no balanço entre os anos considerados e nada tinha a ver com o fluxo de despesas e dos investimentos. No caso, o Grêmio aplicara R$ 15 milhões na formação de atletas.

Uma característica da personalidade desses "especialistas" é que, do alto da sua neo-sapiência, não aceitam contraditório. Desfilam pelas rádios e tevês do país, semeando "conhecimento". Agora, apresenta-se uma nova face da escola para nós: a dos sábios com amnésia. Mas nós não sofremos deste mal. Olhem que curioso: abaixo, estão as páginas da análise de um clube gaúcho dos anos de 2016 (balanço de 2015) e de 2017 (balanço de 2016). Deem atenção especial para a última lâmina. Em vista da dificuldade de leitura dos prints, as análises foram transcritas e publicadas em itálico e na cor bordô.






Palavra do analista em 2016O trabalho em termos de correção de rumo foi muito bem feito em 2015. Os Custos e Despesas caíram 20% e associado ao aumento da Receita possibilitou uma boa geração de caixa, atingindo R$ 64 milhões. Mesmo considerando apenas as Receitas Recorrentes, ainda assim foi positivo, e mostra uma evolução quando comparado aos 3 anos anteriores, onde esta conta foi negativa.





Mais palavra do analistas em 2016: O Internacional sempre foi um modelo de gestão, que pensava no longo prazo, com bons números e desempenho equilibrado. Em 2014 o clube perdeu a mão, pensando apenas em conquistas esportivas, sem olhar para a saúde financeira. Passada a tempestade, o clube voltou aos trilhos em 2015, com alguma dor. O clube fez o dever de casa, conseguindo aumentar as receitas, reduzir custo e investimentos, equacionar as dívidas tributárias. Ainda assim, boa parte dos esforços serviu apenas para ajudar na correção da rota. Ainda falta ganhar tração. Isto significa dizer que o clube precisa manter a postura austera para poder voltar a ter força financeira e manter o time disputando títulos.


Vejamos: A análise diz que, em 2015, o clube “voltou aos trilhos” e “fez o dever de casa”. Logo, preparou-se para um 2016 saudável. Porém, no ano em que entrou pisando nos trilhos com as bochechas rosadas de saúde, caiu para a segunda divisão.

Agora, pasmem: na análise mais atual, o especialista previu o passado. O mesmo modelo de análise, sem nenhum pudor, encontra no balanço de 2016 do “modelo de gestão recuperado” e que "colocara a casa em ordem", a explicação para a queda para a segundona.










Palavra do analista em 2017: E o Internacional pagou o preço por uma estratégia que, quando não funciona, é fatal. Ao se tornar um clube altamente dependente da venda de atletas, quando elas não ocorrem, falta caixa. Para piorar a situação do clube, o dinheiro das luvas foi todo investido no futebol, mostrando total falta de planejamento. O resultado pode ser visto no Índice de Eficiência: queda para a Série B. O Internacional precisa ser usado como exemplo para os clubes que se apoiam demais na venda de atletas para fechar suas contas. Sem uma boa estrutura de custos, que torne o clube livre desta necessidade de vendas, sempre haverá o risco das coisas não darem certo. Daí, não só a bola pune, como o caixa, ou a falta dele também. E a reconstrução de 2017 será difícil, pois ao jogar a Série B o clube perde receitas e visibilidade. Trabalho duro à vista.


Por análises oportunistas como as acima, essas publicações devem ser vistas apenas como um local onde encontram-se compilados os dados contábeis dos principais clubes brasileiros, mas as suas análises preditivas são absoluta e totalmente desprovidas de utilidade. Eles precisam, urgentemente, fazer o seu próprio dever de casa: estudar (pode ser aqui no Brasil mesmo), a estrutura dos balanços e a dinâmica das contas dos clubes de futebol. Sem isso, nunca subirão para a Série A dos analistas de balanços do mundo do futebol.

21 de junho de 2017

Avalanche Tricolor: sem jamais perder a magia

Por Milton Jung

Cruzeiro 3×3 Grêmio
Brasileiro – Mineirão/Belo Horizonte-MG


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Ramiro marcou o 3º do Grêmio (reprodução SporTV)
Haverá gremista se lamentando porque cedemos o empate e desperdiçamos a oportunidade de terminar a oitava rodada como líder do Campeonato Brasileiro.

Eu não!

Ouvi Ramiro,no fim da partida, choramingando ao repórter que tinha lhe feito uma pergunta qualquer. Queria ter terminado o jogo com a vitória. E entendo a insatisfação de um jogador que lutou mais de 90 minutos em busca do gol: fez o dele, permitiu que os outros fizessem os seus e esteve presente em boa parte das jogada de ataque. Suou e jogou muito para merecer a vitória.

Assim como Ramiro, jogaram demais: Michel, Arthur, Everton, Pedro Rocha e Luan – apenas para citar aqueles que estão na nossa linha de frente. A turma lá de atrás também redobrou-se para sustentar o resultado, diante de uma equipe necessitada de pontos e empurrada pela sua torcida. Foi esse somatório que nos fez jogar sempre na frente do placar, mesmo fora de casa. Infelizmente não foi suficiente, cedemos o empate, e nossos jogadores devem estar incomodados com isso.

Insisto: eu não!

Independentemente do que chegamos a ter em mãos por alguns momentos desta segunda-feira – a vitória e a liderança do Campeonato -, fizemos hoje no Mineirão um baita jogo de futebol. Uma partida de orgulhar o torcedor pela maneira como o time se comportou em campo, pelo talento com que alguns dos nossos jogadores demonstraram, pelo toque de bola preciso e com categoria apresentado especialmente no nosso meio de campo.

O prazer de ver o Grêmio jogar a bola que está jogando sob o comando de Renato não me dá o direito de reclamar do resultado. Estaria, sim, desconfortável se saíssemos com um daqueles empates alcançados com futebol retranqueiro e sofrido. Ao contrário, quem assistiu ao Grêmio nesta noite, teve a convicção de que somos um time para disputar o título. E o título está em disputa, mesmo porque ainda é cedo para qualquer definição.

O Grêmio poderia terminar a rodada líder, é verdade; não o fez, mas a encerrou na disputa da liderança. Tem muitos jogos pela frente e adversários diretos já nas próximas partidas. Está maduro, bem formado, com jogadores importantes voltando aos poucos e encantando por onde passa. Temos de ter consciência que para alcançarmos a conquista maior é preciso capacidade de superar reveses e entender placares adversos, sem jamais perder a magia.

19 de junho de 2017

Um grande jogo com um péssimo juiz

Cruzeiro 3 x 3 Grêmio



Primeiro tempo: 1 x 2


Everton começou no time titular. Mas os mineiros tomaram a iniciativa.
Aos 4:30 minutos um chute forte deu na trave direita de Grohe e foi para a lateral. Primeira jogada de perigo.
Aos 7 minutos o zagueiro adversário cabeceou mal e Luan quase aproveitou o erro. Caiu mas o juiz mandou seguir. No contra-ataque outra boa chance dos mineiros mas o chute saiu torto para a lateral.
Aos 10 minutos o primeiro escanteio para o tricolor.
O jogo estava muito encrencado mas aos 16 minutos o ataque entrou tabelando e conseguiu escanteio. Na cobrança Kannemann cabeceou na trave e Éverton tocou para o fundo das redes. O quarto gol de escanteio igual.


Aos 20 minutos Luan entrou pela esquerda que cruzou muito fechado para a defesa do goleiro.
E aos 23 minutos foi a vez de Pedro Rocha cruzar forte mas Ramiro não conseguiu cabecear direito. Quase o segundo.


Os mineiros sentiram o gol e arrefeceram o ímpeto. O Grêmio controlava o jogo mas errava passes acima do que normalmente erra.
Ramiro levou amarelo e não joga na próxima partida.
Grohe fez grande defesa em um chute frontal da entrada da área aos 35 minutos.
Na jogada seguinte, contra-ataque do Imortal de 4 jogadores contra 1 dos mineiros mas Ramiro tentou por cobertura e errou. Renato e toda a torcida enlouqueceram,
Como resposta, no próximo ataque o atacante deu outra bomba na trave direita de Grohe.
O juiz começou a complicar deixando de marcar faltas claríssimas a favor do Grêmio e deixando os jogadores e o banco nervosos.
Aos 41 minutos falta para o tricolor após agressão em Ramiro. O treinador deles foi expulso por reclamação. Na cobrança de Luan, Éverton chutou, deu rebote e Michel mandou para dentro do gol. 2 x 0.


Aos 45 minutos um lateral para o Grêmio que o juiz inverteu. Na cobrança, desatenção da defesa e os mineiros descontaram.
Aos 47 minutos Éverton deu uma bomba mas o goleiro fez um milagre salvando o terceiro gol.
E acabou.


.....

Foi 2 x 1 mas poderia ter sido 4 x 0. 
Depois da pressão inicial o tricolor passou a impor seu jogo e só levou gol em desatenção após lateral mal marcado. Ou melhor, roubado.
Todo o time jogou em alto nível sem um destaque muito acima dos outros.




Segundo tempo: 2 x 1

O segundo tempo começou com o tricolor recuado e tomando o gol de empate aos 2:50 minutos. Falha da defesa. E, para variar, depois de outro lateral invertido pelo juizinho e seus asseclas.
A primeira chegada do Grêmio foi aos 4:50 minutos mas o goleiro interceptou a jogada.
E aos 8 minutos Ramiro bateu forte para defesa do goleiro.
Aos 9 minutos um pênalti escandaloso no Éverton. Não marcado claro.
Quando o jogo começava a encardir Luan deu um grande passe para Pedro Rocha que chutou para grande defesa do goleiro. Mas Ramiro pegou o rebote e mandou para dentro do gol. 3 x 2 aos 14 minutos.


Mas nem deu para festejar. Kannemann saiu machucado e, se aproveitando da desarrumação da defesa, novo empate. Entrou Thyere no lugar dele.


O terceiro gol tirou um pouco do ânimo do Grêmio, mas logo o time se recompôs e saiu para tentar o quarto.
Aos 28 minutos Fernandinho foi derrubado na entrada da área mas o ladrão mandou seguir. No contra-ataque, um lance igual na defesa do tricolor e o ladrão, claro, marcou.
Aos 35 minutos Luan deu uma assistência magistral para o Ramiro que errou a cabeceada na cara do gol. Era o quarto gol.
Os mineiros quase fizeram aos 35 minutos. E Everton quase fez aos 36, quando o goleiro fez um milagre.
Aos 37 minutos Everton desarmou na defesa e foi até a entrada da área adversária quando levou uma falta violentíssima. Luan bateu na barreira que estava há 5 metros da bola. E o juiz uma desmoralização só.
Luan aos 40 minutos sofreu outra falta frontal à área. Na cobrança a bola deu na barreira que estava a 2 metros da bola. No rebote cruzada para o meio mas Fernandinho nãoconseguiu mandar para dentro.


Aos 45 minutos nova troca de passes mas Edilson cruzou muito fechado.
Aos 46 minutos foi a vez deles chegarem com perigo. Por sorte a bola saiu alta.
Aos 48 minutos escanteio e Geromel quase fez, mas a bola saiu por cima.
E foi isto.


.....

Um grande jogo com uma péssima arbitragem.
Erros do juiz e algumas desatenções impediram mais uma vitória.
Mas o time mostrou que está muito afim e que não se amedronta em lugar nenhum.
Sobrou um gostinho amargo de que poderia ter sido mais uma vitória.

Como jogaram:

Grohe:
Boas defesas no primeiro tempo e sorte com duas bolas na trave. Levou três gols sem ter culpa em nenhum. Nota 6
Edilson: Aos poucos volta a jogar o que jogou no ano passado, embora tenha sofrido muito com as movimentações do ataque adversário pelo seu lado. Nota 7
Geromel: Mais uma grande atuação embora tenha se perdido no segundo gol. Nota 8
Kannemann:  Cabeceou no primeiro gol e, para variar, foi uma barreira quase intransponível atrás. Saiu machucado. Nota 9
Bruno Cortez: Bom primeiro tempo. Pareceu cansado no segundo. Vai ser difícil Marcelo Oliveira voltar para o time. Nota 7
Michel:  Parece um veterano pela tranquilidade com que joga. Fez o segundo gol em jogada de oportunismo. Nota 7
Arthur:
 Muita categoria e tranquilidade a serviço do time. Nota 8
Ramiro: Perdeu um gol feito por excesso de preciosismo mas fez outro. Mas está jogando muito. Nota 8
Luan: Outro que parece jogar de terno e gravata. Mais uma belíssima atuação. Nota 9
Pedro Rocha: Muita luta e esforço. Outra boa atuação. Nota 7

Everton: Tem estrela. E foi bem. Nota 7
.....

Rafael Thyere (Kannemann): Nem bem tinha entrado e saiu o terceiro gol do adversário. Depois pareceu um pouco assustado na hora do desarme
Nota 5
Fernandinho (Pedro Rocha): Tem entrado bemNota 6
Maicon (Arthur): Entrou no final. Sem Nota

Renato Portaluppi: Armou um grande time
Nota 10


____ 

Arbitragem:
Raphael Claus, Alex Ang Ribeiro e Tatiane Camargo (SP) - Inverteram dois laterais que originaram os dois primeiros gols dos mineiros. Não deu um pênalti para o Grêmio e deixou de dar algumas faltas próximas da área. Mais um ladrão na nossa vida.

Para rechear a guaiaca

Hoje tem  jogo importante. A vitória garante a classificação e uma distância de 6 pontos do terceiro e 9 pontos do sexto lugar. Uma bela gordura. O empate não é mau.
Na conta da média de ganhar todas em casa e empatar fora para chegar aos 76 pontos já temos 5 pontos na algibeira com as 3 vitórias fora. Uma gordura respeitável considerando que estamos no início do campeonato. Se ganharmos hoje a gordura sobe para 7 pontos o que equivale a poder perder duas partidas em casa, por exemplo.
Esta situação fica ainda melhor se for olhada a classificação planejada do Rica Perrone. Dados completos aqui ó.


Importante para isto é manter a concentração e o foco. O time mineiro é bom mas tem falhas na defesa.
Renato ainda não confirmou o time, mas suspeito que hoje vai de Éverton ou outro atacante para aproveitar os espaços que devem surgir.
Que volte com a guaiaca ainda mais cheia é o que se deseja.

16 de junho de 2017

MW Tático - Análise de Fluminense x Grêmio

Confirmando a tendência, Renato repetiu o time do jogo contra o Bahia. Jogou com os 4 volantes (Michel, Arthur, Maicon, Ramiro) e aqui importante falar: sim, são 4 volantes, mas que tem o posicio0namento de meias! A diferença é que no primeiro tempo Maicon era o jogador mais avançado, invertendo com Arthur que contra o Bahia jogou mais avançado. Na minha visão, foi aí onde jogou Maicon jogou melhor, pois cadenciava o jogo e joga próximo de Luan.

Maicon mais avançado, centralizado na linha de três do meio com Luan e PRocha

Neste novo posicionamento podemos notar, além da alteração tática com um jogador mais próximo do Luan, que foi a falta que vimos contra o Bahia, observamos mais dois pontos. Na saída de bola do Fluminense, Maicon ajudava Luan na pressão, enquanto Pedro Rocha e Ramiro recuavam para acompanhar os laterais. Quando o Fluminense pressionava, o time alterava para um 4-1-4-1, onde Michel ficava como um defensivo, Arthur e Maicon centrais e Pedro Rocha e Ramiro nas pontas, com Luan na frente.

Michel e Arthur centralizados, com Maicon mais à frente para realizar a pressão na saída de jogo.
Foto de Daniel Rohr (@danielrohr)

4141 - Michel recua, Maicon e Arthur centralizam.
Foto de Daniel Rohr (@danielrohr


Finalizamos o primeiro tempo com menos posse de bola que o Fluminense (55% x 45%), mas número e assertividade de passes maior (238, 88% Fluminense / 257, 89%). E o que significa? Que após o golaço de falta de Edilson (não marcávamos de falta desde abril do ano passado, com gol de Luan contra o Juventude), o Fluminense tomou a iniciativa, e nós marcamos muito bem, com a saída de de bola com muito toca de bola. Maicon gradativamente foi recuando devido a pressão do Fluminense, e como não tínhamos profundidade, as vezes o meio campo ficava embolado, principalmente com Michel, Arthur e Maicon.

Posicionamento médio do Grêmio no primeiro tempo.

Com esta estrutura no final do primeiro tempo, no vestiário Renato tentou mudar. Recuou Maicon na primeira função do meio campo, alterando com Michel, sendo que Arthur avançou, sendo o parceiro de Luan na pressão da saída de bola e no ataque. Como vimos, não deu muito certo, pois houve certa confusão e sobreposição de posições de Michel e Maicon, que não sabiam quem ficava mais posicionado na frente da zaga, e Arthur não conseguia segurar a bola na frente. Já vimos que Arthur não pode ter esse posicionamento. Neste início de segundo tempo o Fluminense avançou e teve as melhores oportunidades.

Alterações de Renato na volta do intervalo, mas que não deram muito certo.

Renato mais uma vez viu o jogo, e fez as alterações necessárias no Grêmio. Everton e Fernandinho entraram no lugar de Maicon e Pedro Rocha, alterações parecidas contra o Bahia, que havia tirado Arthur. Com essas alterações tivemos verticalidade. Os laterais do Fluminense que antes avançavam, agora tinham que ficar mais posicionados. Michel e Arthur ficaram nas posições que mais jogam, e o time controlou o jogo.

Posicionamento médio após as alterações, criando verticalidade e controle do jogo.

Comparando com o jogo do Bahia, fomos melhores. Óbvio que a proposta de jogo dos adversários era diferente. Enquanto Bahia estava empatando fora de casa e assim realizando uma retranca, o Fluminense jogava dentro de casa e começou logo tomando gol de falta, o que fez o time se soltar mais. Mas podemos ver Pedro Rocha mais avançado, Luan recuando um pouco para ter parceria para jogar, e o meio campo menos embolado, onde Arthur se desgarrava do meio central para começar as jogadas, o que faz de melhor.

Comparação dos jogos contra Fluminense e Bahia, onde melhoramos o posicionamento mesmo pelas circunstâncias do jogo.

Ao final, nossos 4 voltantes deram outro espetáculo de controle de bola, com assertividade de passes acima 90%, onde Arthur teve uma presença descomunal no campo. Esse tweet foi usado até na materia do globo.com

Tweet que mitou!

Que Renato venha com mais soluções contra o Cruzeiro!

Tem mais no meu Twiitter @mwgremio . Mas pode comentar aqui que responderei para todos!

Avalanche Tricolor: o time de “4 volantes” que dribla a lógica do futebol

Por Milton Jung


Fluminense 0x2 Grêmio
Brasileiro – Maracanã


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Edílson fez o primeiro de falta (reprodução Premier)
O  Grêmio dribla a lógica do futebol e dá um nó na cabeça dos cronistas esportivos. Há dois jogos é acusado de jogar com quatro volantes, solução encontrada por Renato para suprir a ausência de Barrios no comando do ataque. E com quatro volantes, para a maioria dos críticos coisa de gente que prefere a retranca e não gosta de criatividade, somou seis pontos no Campeonato Brasileiro, três deles nesta noite de quinta-feira quando jogava fora de casa. Ok, você me dirá que o Rio é a casa do Renato e o Maracanã, palco preferido do Grêmio, e eu vou concordar*. Mas, tecnicamente falando, jogar lá e jogar fora de casa.

O que me espanta é alguém ainda entender que Ramiro, por exemplo, é volante. Ele até é volante quando a gente precisa, mas sabe jogar muito bem quando se posiciona mais próximo da área do adversário ou ao cair pelo lado direito revezando com o lateral – no caso de hoje com Edílson.

Arthur também entra na conta dos nossos volantes, porque deve ter sido assim inscrito nas planilhas oficiais em algum momento. Hoje, esteve por duas vezes diante do gol, prestes a marcar, e manteve a bola nos pés, articulando no meio de campo, por quase toda a partida. Sim, quando o Grêmio é atacado, ele volta para marcar, fecha na frente da área, rouba a bola e retoma sua função de articulador. Porque assim é o time do Grêmio: solidário, compacto e guerreiro para impedir ameaças do adversário; trocador de passe, ágil no toque de bola, rápido se necessário e matador quando ameaça o adversário.

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Luan fez o segundo de falta (reprodução Premier)
Pra complicar ainda mais as ideias: venceu na noite de hoje, como disse um jogador do outro time ao fim da partida, com duas bolas paradas. Tem razão no que diz; perde a razão na maneira como diz. Dá a entender que isso é demérito ou lance de sorte. Ledo engano. As faltas foram resultado da troca de passes veloz e da busca do drible. E as cobranças, resultado de muito treino e categoria. Na força, Edílson fez a bola dançar entre a barreira e o goleiro, no primeiro gol. Na sutileza, Luan acariciou a bola com o peito do pé e  a fez deslizar pela rede sem qualquer chance para o goleiro.

Com “quatro volantes” e “dois gols de bola parada”, Renato faz no comando da equipe o mesmo que fazia quando comandava nosso ataque: deixa o adversário desnorteado, e os críticos, também.

Em tempo: o Grêmio Show encantou em campo e foi acompanhado por nossa torcida que cantou mais alto, no Maracanã.